O ano velho nem terminou e o novo já começou

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“A lição sabemos de cor, só nos resta aprender”. Dois mil e dois se aproxima e nos encontra perturbados com as mesmas questões que preocupavam Epitecto, nos anos 47 DC.

Continua sendo difícil aprender que nem tudo está em nossas mãos e que algumas só dependem de nós. Culpar o colega, alegar falta de diretrizes, são reclamações que fazem parte dessa categoria. Se a diretriz não está clara, está em nossas mãos, perguntar até obter resposta clara. E esta resposta pode demorar alguns anos.

Também não tem sido fácil compreender a importância de não se ocupar com o que não é da nossa conta. Não se trata de cruzar os braços, de atribuir responsabilidade ao outro, mas da postura madura de admitir a realidade. Algumas pessoas não querem, não gostam, não fazem. E essa conta é delas. O segredo parece ser ocupar-se do que está em nossas mãos.

O grande desafio é separar o que é e o que não é da nossa conta. Isto porque nem sempre se presta atenção aos fatos. Muitas pessoas competentes já foram demitidas pelo gerente que, não sendo bom observador, só não gostou da roupa que a funcionária usava. Mau observador não sabe perceber o que está atrás das aparências, nem sabe dar feedback. Prefere mentir, inventar desculpas a ter que lidar de frente com os problemas.

Resolver problemas requer o senso de realidade. Para quem não admite a verdade sobre si, ilude-se com falsos amigos, acha-se o melhor que todos, lidar com a realidade é tarefa difícil. Hoje mais do que antes, precisamos saber quem somos, precisamos conhecer mais os amigos antes de nos tornar sócios, namorados e especialmente saber dos riscos que corremos caso eles se tornem nossos inimigos.

Atentar para os preconceitos continua sendo aprendizagem necessária nas relações interpessoais. Muitos amigos sinceros nos deixaram por saber que não fomos corretos com eles. E aqueles que trocaram uma relação duradoura por uma paixão recente costumam concluir que eram felizes e não sabiam.

Querendo agradar sempre, muitos perderam a coragem de ter opinião própria. Submeteram-se à hierarquia, praticaram atos pouco recomendáveis que lhes custaram algumas noites sem dormir. E tempos depois foram demitidos por serem muito apagados, gente sem expressão…

Tudo indica que a saída é definir com clareza a pessoa que queremos ser. Dá para abrir mão de detalhes, flexibilizar posturas, rever prazos, redirecionar os rumos.

Dois mil e um ensinou-nos muitas lições. Só se pode estar tecnicamente pleno, quem está bem pessoalmente e com bom relacionamento pessoal. Afinal, dependemos cada vez mais dos outros.

No momento em que a volatilidade caracteriza a década, cabe pensar em alternativas que afastem a superficialidade, a vida vazia, as buscas sem significado.

Equipes de projeto se juntam e se separam, não se constróem vínculos. Casamentos celebrados duram apenas alguns meses, aumenta o número de divórcios. Se a intolerância e a rapidez forem estilos predominantes de conviver, maus tempos nos esperam.

A competitividade tornar-se-á cada vez maior, o que aumentará a concorrência entre os profissionais, a disputa por poucos postos de trabalho. Que isto não se transforme em competição predatória, na nova edição da “Lei de Gerson”.

Se não repensarmos nossas crenças e valores, não teremos sossego.

Se Confúcio tem razão, e “Quem ama seu trabalho passa a vida sem trabalhar”, realização profissional deverá ser uma conquista inevitável.

Empatia e versatilidade serão condições fundamentais para a adaptabilidade e o equilíbrio pessoal. Postura simpática e inteligência emocional continuam em alta.

Restou-nos a alternativa mais trabalhosa. Reflexão permanente, postura de eterno aprendiz, autodesenvolvimento, compromisso pessoal com a carreira. Conta-se, na verdade, consigo mesmo pois a maioria das atitudes necessárias para a arte de viver, dependem de nós mesmos. Pais não podem passar no vestibular no lugar do filho. Mães não podem tomar para si o sofrimento da filha ou filho apaixonados e recusados por quem tanto queriam.

E quem esperava por um líder carismático, motivador, terá que encontrar formas de automotivar-se. A palavra de ordem que desponta é ENTUSIASMO. E entusiasmar-se é “Living Before Party”, agir como quem tem uma festa sonhada para ir. Este parece ser o combustível comum para todas as jornadas.

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