O Bug Humano: uma ameaça aos relacionamentos

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As comemorações da mudança de milênio podem continuar. Passados os rituais, cabe-nos mais do que acostumar logo a escrever 2000 nas folhas de cheque. Convém manter o fantasma do BUG, analisar riscos, tomar cuidado, manter plantão, reinventar a vida e o viver.

Nem sempre a vida é lógica, nem tudo ocorre como esperamos. Mil novecentos e noventa e nove anos ainda não foram suficientes para nos ensinar a lidar com a realidade como se apresenta, não como deveria ser. O pensar pode ser lógico e mesmo assim levar a conclusões equivocadas. Se deixamos de verificar os fatos, ora nos precipitamos, ora nos enganamos.

Embora opção de muitos, negar a realidade, resistir, usar máscaras e dissimulações não tem contribuído para transformar a realidade. A mulher nega que há um caroço no seio, o homem corre do urologista até quer não haja mais possibilidade de tratamento. Ao optar pela inércia, negação ou qualquer outra forma de auto engano deixamos de observar as consequências das escolhas que fazemos.

Para começar o novo século com o pé direito , cabe-nos relacionar, escolhas equivocadas por parte do governo, dos patrões, sem nos furtar de admitir posturas e opções de nossa inteira responsabilidade, que resultaram em consequências que não desejávamos.

Assumir responsabilidade pelas escolhas é traço raro, sinal de maturidade. O mais comum é encontrar justificativas para insucessos. Que o ano 2000 nos ajude a sair de posturas como: já dirigi bêbado e nada aconteceu, já soneguei imposto de renda e o governo não viu.

Há uma ligação entre nossos problemas e nós. Se os relacionamentos estão insatisfatórios, seja qual for a circunstância de vida, somos responsáveis. Cabe-nos perguntar: confiei insensatamente, deixei de esclarecer o que realmente queria, não prestei atenção aos sinais importantes, escolhi momento errado pessoa errada, lugar errado?

Precisamos aprender a identificar o que fiz para que as coisas acontecessem como aconteceram: deixei de reclamar meus direitos, deixei de exigir o bastante de mim

deixei alguém me tratar sem respeito, busquei a alternativa mais cômoda.

Culpa é diferente de responsabilidade. Se assento no sofá e ele quebra, não sou o culpado mas sou responsável. Não acredito que na infância escolhemos ser mal tratados. Mas adultos, podemos escolher como reagir às circunstâncias de vida.

Se o emprego não está bom precisamos reinventar o modo de estar empregado. Muitos escolhem falar mal da empresa, muitos se iludem que a solução é mudar de empresa.

Se o casamento não está dando certo, precisamos mudar o casamento. Nem sempre mudar de casamento.

Justificativas para não mudar são fartas: porque era muito difícil, porque não tive tempo, porque isso só vale na teoria. Não existe um momento ideal para fazer o que é preciso fazer. Não há como mudar o passado. O melhor momento é agora. Precisamos aprender a nos livrar da culpa em vez de encontrar mais desculpas.

Vivemos em sociedade, praticamente tudo requer interações com outros. A vida é um permanente exercício de habilidades, atitudes, capacidades adquiridas e aprimoradas.

Para viver em grupo é preciso conhecer as regras do jogo. Insistimos em estabelecer regras depois de iniciado o jogo, em nos ligar a quem não conhecemos. Somos capazes de aceitar emprego sem conhecer as bases culturais da empresa, capazes de nos casar com quem não conhecemos. Sem perguntar ao parceiro o que valoriza na vida, o que realmente importa para ele, quais as suas expectativas e crenças de como a vida funciona. Também não pesquisamos quais as resistências, temores, tendências, pré julgamentos. E mais: nos ligamos a pessoas sem saber o que as leva a confiar em alguém, que tipo de coisa considera relevante, o que acham de si, o que querem para sua vida.

Globalização da economia, corrupção do governo, miséria e fome não parecem cenários dos quais nos livraremos simplesmente porque agora o milênio é outro. Nada disso desaparecerá por ação governamental, decretos, mudanças estruturais. Na riqueza também há mentira, sofrimento, auto engano e dor. Mais do que comemorar novo século, parece prudente desenhar novas estratégias de vida. Viver de forma consciente, assumir responsabilidade, admitir que somos autores de nossas escolhas. Pagamos a conta aqui mesmo.

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