Um bom lugar para se trabalhar

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Empresários que se queixam muito da falta de incentivo para criar clima interno positivo e estimulador, deveriam levar a sério o movimento anual de premiação das 100 melhores empresas para se trabalhar.

Há um consenso entre quem concede o prêmio e quem o conquista: tecnologia não é nada sem gente, conforme defende Cláudio Notini da RM Sistemas. Ouvir a equipe mesmo que as críticas doam, promover pesquisas internas com os empregados e levar em conta os resultados na definição de rumos e decisões gerenciais faz parte dos fatores que estimulam o compromisso e a produtividade.

Gerentes que corajosamente ouvem as equipes, escutam críticas sem atitude defensiva aprendem que o menor caminho para avivar a participação é escutar a todos, valorizar o ponto de vista do outro, sair da postura de achar que se está sempre certo.

Parece um paradoxo mas, no momento em que se tem consciência da importância da educação formal, muitas empresas desconhecem a realidade do empregado que a duras penas completa os estudos universitários à noite, depois de trabalhar o dia todo. Reuniões marcadas para começar às 18 horas, viagens a serviço que poderiam ser reprogramadas fazem do funcionário um aluno que chega atrasado, sai cedo, perde provas. Será que assim sairemos das tristes estatísticas de um dos países onde a população tem menor grau de escolaridade?

Quer se queira ou não, empregados têm família e família é coisa séria. Criar filhos à distância não vem se mostrando uma boa solução. Alguns empresários tremem de revolta quando uma funcionária engravida. Ficará de licença e será preciso treinar outra. Mesmo que isto seja absolutamente verdadeiro, mulheres têm o direito de terem filhos e ainda são elas que podem engravidar. E convém lembrar que nos últimos tempos cada mulher gera apenas um ou dois componentes da próxima geração em toda a sua vida funcional…

Famílias precisam ser convidadas a participarem de eventos culturais e educativos. Palestras, apoio nos rumos para educar filhos, reflexões sobre como melhorar os relacionamentos afetivos, controle do orçamento familiar, prevenção de doenças e de acidentes são apenas alguns dos temas que fazem parte do investimento no capital humano.

Empresas comprometidas com o desenvolvimento social apóiam e contribuem com o terceiro setor. Liberar empregados durante quatro horas por mês para prestarem serviço social voluntário são práticas pouco divulgadas, mas existem e comprovam que cidadania não é só discurso. Decorre de se colocar ” a mão na massa” em lugar de dar esmolas.

Incentivo ao lazer cultural, distribuição de ingressos para teatro e cinema são outras práticas pouco utilizadas, mas os empresários que fazem isto sabem que vale a pena.

Férias: direito sagrado do trabalhador, conquista que demorou a se obter. Mas há quem só assine os papéis e continue na ativa, ano após ano. Empresas que estão entre as melhores para se trabalhar levam a sério a necessidade de “desligar” por trinta dias, mudar o assunto, variar de amigos, respirar outros ares. Pode até ser que não se delete o estresse, mas que ajuda, ajuda.

Participação nos lucros continua sendo medida bem vinda. Quem contribui merece retribuição. Mas poucos abrem mão das margens de lucro em favor do empregado. Quem distribui lucros, sabe o bem que isso faz às equipes. Sem dúvida elas se sentem estimuladas a se esforçarem pela obtenção de resultados, para repetirem a dose no ano seguinte.

Recrutamento interno , valorização da prata da casa são práticas freqüentes entre as melhores para se trabalhar. Estas entendem que criar cultura demora e custa caro. Quem contribui para os resultados, comunga dos valores e compartilha das crenças organizacionais espera por oportunidades de carreira. Se novas oportunidades são sempre destinadas aos de fora, pode-se esperar por frustração.

Confiar nas pessoas para quem se presta serviços, ter orgulho pelo trabalho que se faz, gostar dos colegas de equipe são fatores que sustentam relações de camaradagem e contam ponto para a empresa na visão do trabalhador. Formar equipes integradas e cooperativas passa ser um bom negócio.

Se a empresa conta com líderes que conquistam credibilidade, cumprem o que prometem, respeitam as diferenças individuais, mostram competência, integridade e imparcialidade certamente terá grande chance de estar entre as melhores.

Para a tristeza de muita gente, pagar salários altos não assegura vaga entre as melhores. Muitas empresas que figuram na lista não são as que melhor pagam. Tudo indica que além de pagar bem é preciso tratar bem aqueles que todas as manhãs acordam, enfrentam trânsito, produzem sem saber se amanhã terão emprego e renda. Está fora de moda maltratar o trabalhador.

Quem deseja estar entre as melhores para se trabalhar já sabe o caminho das pedras.

Publicado em “RM em Revista” (RM Sistemas) – janeiro / 02

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